Deleuze e Guattari: capitalismo e esquizofrenia 1




A primeira obra de Gilles Deleuze (1925-1995) e Félix Guattari (1930-1992), O anti-Édipo, é marcada por uma nova concepção do desejo e do inconsciente. Como alternativa à concepção psicanalítica do desejo castrado (a ideologia da falta), do corpo reduzido à sua realidade orgânica (o corpo utilitário) e da representação do inconsciente (Édipo como dogma), Deleuze e Guattari não dissociam o desejo do processo de produção do inconsciente, um puro processo esquizofrênico de descodificação e de desterritorialização, que funciona independentemente de qualquer interpretação. Esse processo implica a produção do Corpo sem Órgãos, isto é, de um corpo intensivo que se exprime através das conexões dos órgãos do corpo. É desse processo que o capitalismo se apropria, reprimindo o desejo e o Corpo sem Órgãos, para poder se constituir (a esquizofrenia como limite do capitalismo), reduzindo o desejo, o corpo e o inconsciente ao império da representação.


Programa:

Fevereiro:
Fluxos de desejo e história universal. Selvagens, Bárbaros e Civilizados (codificação primitiva, sobrecodificação despótica e descodificação-axiomatização capitalista). O socius e o Corpo sem Órgãos: máquina territorial primitiva, máquina despótica e máquina capitalista.

Março:
O capitalismo e as interrupções do processo de produção desejante. A diferença de regime entre o molar e o molecular. A organização molar e a captura do desejo: soldar a falta ao desejo.
O capitalismo e a esquizofrenia como limite. 

Abril:
Psicanálise e edipianização. Os cinco paralogismos da psicanálise.
A interrupção do processo de produção do inconsciente em neurose, perversão e psicose.

Maio:
O real e o funcionamento molecular do inconsciente: os objetos parciais, as sínteses passivas e o Corpo sem Órgãos como antiprodução (repulsão e atração dos órgãos). As máquinas desejantes como sistema de cortes: corte-extração (Libido), corte-desligamento (Numen) e corte-resíduo (Voluptas).
O processo de produção desejante: produção de produção, produção de registro e produção de consumo. A multiplicidade como substantivo.

Junho: 
A esquizoanálise e a devolução da produção ao desejo. As tarefas da esquizoanálise. Gregarismo, seleção e antiprodução. Grupo sujeitado e grupo sujeito. Polos de investimento libidinal social: paranóia e esquizofrenia. A inversão da subordinação do desejo: os conjuntos gregários submetidos às multiplicidades moleculares de produção desejante.


Início: quinta-feira, 02 de Fevereiro de 2012
Duração: de Fevereiro a Junho de 2012
Horário: às quintas, das 20hs às 22hs
Valor: R$ 140,00 mensais
Endereço: Rua Silvia 110, 12º andar (próx. ao metrô Trianon-Masp), 
Bela Vista, São Paulo - SP


Inscrições:
Envie um e-mail para amaureks@gmail.com e informe nome, e-mail e telefone.
O pagamento da primeira parcela é feito no local do curso, na primeira aula.
Vagas limitadas!




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Amauri Ferreira é filósofo, escritor e professor. Desde 2006 ministra cursos livres de filosofia e palestras em diversos espaços culturais e instituições de ensino. Ministrou palestras na Unesp, Universidade Mackenzie, Instituto Sedes Sapientiae e outras instituições. É autor dos livros "Introdução à Filosofia de Spinoza" (Editora Quebra Nozes) e "Introdução à Filosofia de Nietzsche" (Editora Yellow Cat Books). É também autor dos artigos "Mente, corpo, imaginação e memória em Espinosa", "Culpa, ressentimento e a inversão dos valores em Nietzsche" (ambos publicados pela revista Filosofia, da Editora Escala) e "Corpo e pensamento: a invenção de outro sentido" (publicado pela Revista Reichiana, do Instituto Sedes Sapientiae). Também faz experimentações audiovisuais filosófico-poéticas, através de videoaforismos.

Livros e artigos para download, cursos, vídeos e áudios estão disponíveis em www.amauriferreira.com

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